Capítulo 30
POV Isabella
Como ele pode acreditar naquela mentira? Eu seria incapaz de fazê-lo sofrer assim... Céus! Eu o amo muito.
Lágrimas e mais lágrimas molhavam meu rosto enquanto eu saía pelas ruas de Los Angeles sozinha. Meu corpo tremia e os soluços invadiam a minha razão. Deus! O que eu fiz para merecer isso? Ele me chamou de nomes horríveis, não me deixou explicar...
Eu não fiz nada... Nada.
Também não entendi o porquê de Jasper mentir assim... Custava ele dizer a verdade? Merda! Eu até me esqueci de falar onde eu estava, mas eu sei que de nada adiantaria, pois Edward estava transtornado, mas ele não tinha o direito de me xingar, de não confiar em mim, em minha palavra. Edward me magoou muito e já sinto meu peito se quebrar em pequeninos pedaços.
Justo hoje, que eu pensei que seria a melhor noite de minha vida.
Flash Back On
Ai! Hoje seria perfeito! Edward seria meu e eu seria dele, unidos, como apenas um. Disso eu tinha certeza.
– Amor, eu quero ir ao shopping. - falei enquanto comia uma torrada com suco de morango.
– Eu te levo.
– Não... Jazz me leva! - Jasper teria que me levar, senão o meu plano não daria certo, já que Emmett havia sumido com uma garota chamada Amanda. Loira, peituda, olhos castanhos e sorriso de biscate.
Eu tinha pensado que ele havia gostado da Rose e ele admitiu que gostou, mas também disse que o que os olhos não vêem o coração não sente. Achei um absurdo, mas fazer o que? Cada um é cada um!
– Posso saber o porquê de eu não poder ir? - perguntou fitando-me com curiosidade.
– É que... - pense Bella, pense! - Vou comprar um presente para você e não é viável que você esteja por perto.
– Eu não ligo. - disse.
– Mas eu sim!
– Já pediu ao meu irmão? - indagou contrariado.
– Vou pedir agora. - falei me levantando e indo dar um selinho nele.
***
Jasper havia aceitado me levar ao “shopping”, mas nem ele sabia onde eu queria ir.
Hoje de manhã, sem querer devo ressaltar, eu fui procurar uma blusa minha e encontrei um molho de chaves. Em chaveiro estava escrito. “Ap 23”. Deveria ser o apartamento de meu namorado e por isso achei que ele não iria se importar de me emprestar a chave... Já que a surpresinha seria para ele.
Peguei a chave com um sorriso sapeca em rosto e guardei em bolso da minha calça jeans.
Agora nós estávamos dentro de carro, a caminho de shopping.
– Jasper, nós não vamos ao shopping.
– Não? - arqueou uma sobrancelha.
– Não, Jazz. Eu quero que você me leve ao apartamento de seu irmão. - falei naturalmente.
– Por quê?
– Quero fazer uma surpresa para ele. - então Jasper virou a esquina e mudou de trajeto.
– Eu não tenho a chave... - comentou.
– Não se preocupe, ela está comigo. - sorri medrosa, vai se ele conta para o Edinho? - E Jasper, vou precisar de você por essa tarde.
– Diga.
– Quero que você compre alguns ingredientes em um mercado qualquer e depois me ajude com algumas coisas... E claro, não conte nada ao seu irmão, ok?
– Bella, o Ed não gosta de surpresas.
– Essa ele vai gostar. - falei para mim mesma com um sorriso na cara.
***
Estava tudo pronto.
Havia sorvete no congelador, vinho na geladeira, lasanha no forno e o apartamento estava todo arrumado.
Levei quase o dia inteiro para limpar, tirar pó, trocar os lençóis, lavar a louça que ali tinha... Mas não me arrependo. Afinal eu vou ter o meu amor só para mim.
A lasanha começou a cheirar e corri para tirá-la do forno. Pelo cheirinho ela estava uma delícia!
Escutei a porta bater. Deve ser o Jazz.
– Entre, Jasper! - gritei da cozinha.
Escutei a porta se abrir e depois bater.
– Oi, Bella.
– Oi. - coloquei a lasanha em cima da mesa. - Trouxe as flores?
– Aqui. - me entregou várias rosas vermelhas.
– Obrigada, Jazz.
– De nada. - murmurou. - Parece que está gostosa.
– Deve estar. - falei. - Precisamos ir, vou colocá-la no forno novamente, para mantê-la aquecida.
– Tudo bem, estou lá embaixo, ta?
– Ta.
Coloquei novamente a lasanha no forno, tirei o avental e dependurei em pino e depois olhei tudo. Parecia que estava correto.
Quando estava saindo, me lembrei!
PUTTZ! A MÚSICA!
Peguei o CD e coloquei em som, e já deixei na faixa que eu queria, dei o pause e saí de apartamento, indo em direção a Jasper que estava na recepção.
– Vamos? - perguntei.
– Vamos.
Flash Baxk Off
Peguei um taxi e fui ao apartamento de Edward.
Entrei lá e peguei o meu celular que eu tinha esquecido e chorei novamente ao ver o quanto eu tinha sido burra, desci muito rápido e fui até o sindico.
– Oi, eu sou uma... - pense Bella, pense. - Amiga de senhor Edward Cullen e como ele me emprestou as chaves de Ap dele por hoje, eu estou com pressa e não vai dar para eu entregar a ele... Será que o senhor pode ficar com ela?
– Tudo ok, senhorita. - disse o senhor careca e de óculos. - Quando ele aparecer eu entrego a chave.
– Obrigada, viu.
– Disponha. - sorriu gentilmente e saí, voltei ao taxi.
– Para onde agora?
– Aeroporto.
– Qual deles?
– Qualquer um. - falei sem emoção.
***
Ao chegar ao Aeroporto, corri para comprar uma passagem para Seattle, mas todos os aviões a esse destino já estavam lotados e o próximo vôo seria pela parte da manhã.
Então eu percebi que eu podia ir a um lugar onde seria acolhida com amor e carinho...
– Moça, tem passagem para Jacksonville? - perguntei me agarrando a última oportunidade.
– Sim.
– Que horas?
– Em vinte minutos.
– Quero uma. - falei e a moça começou a digitar os meus dados.
***
Eu dormi quase o vôo todo, acordei apenas em finalzinho e porque tive um sonho terrível com o Edward me xingando novamente.
Desci de avião e, como eu estava sem mala, peguei um taxi e fui direto a um lugar que me dava paz, um lugar que só ia quando era pequena...
– Aqui, senhor. - falei quando vi a antiga casa amarela, cheia de flores brancas e azuis pelo jardim atrás da cerquinha.
Ele parou e logo paguei.
Corri pelas pedras que iam até a porta e bati levemente. Vi as luzes se acenderem e a porta ser destrancada. Eles já deveriam estar dormindo.
A porta se abriu e uma senhora com os cabelos brancos em suaves ondas e os olhos chocolates, um sorriso fino e uma camisola rosa chá olhou-me um pouco assustada.
– Bella?
– Sim. Sou eu, vovó Marie... Posso ficar aqui por uns tempos? - perguntei mordendo os lábios por eu estar morrendo de nervoso.
– Sempre, minha querida. - sussurrou com um sorrisinho. - Entre.
Entrei na casa que me acolheria por um bom tempo. A casa de meus avós. Marie e Thomas. Os meus anjos da guarda.
Agora eu só me preocuparia em dormir, só depois falaria com a minha mãe.
Abracei o corpo da minha avó. Ela ainda cheirava a margaridas e sorri um pouquinho por isso.
– Obrigada, vovó.
– De nada minha, princesinha.