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    Diário Do Professor Delícia-Capítulo 31 - parte 2

    26/04/2014

    Capítulo 31  
    parte 2  
    POV Isabella

    Tudo já estava mais ou menos bem.

    Seis meses se passaram e eu ainda estou com meus avós. Edward tentou de várias maneiras conversar comigo, mas eu não atendi nem respondi as ligações e mensagens dele. Eu sabia que estava sendo um pouco infantil, mas ainda me sentia ferida, as palavras dele ainda me assombravam a noite.

    Quando minha mãe me ligava, ela dizia que ele estava triste, que ele não tinha ânimo para nada, que sempre ficava com o celular ao lado, a espera da minha ligação. Mas não seria assim tão fácil.

    Apesar de saber que tudo foi uma armação – fiquei sabendo por conhecer um fofoqueiro chamado Emmett – do Jasper com a Katrina, que nós dois fomos vítimas, ele nunca deveria ter me xingado. Escutei coisas que me magoaram muito. Saber que ele não tem confiança em mim, que apenas uma rajada de vento já nos desequilibrou, me deixou abalada. Talvez por eu esperar mais de um relacionamento, que aparentemente, só eu estava participando.

    Mas enfim, hoje eu volto para Forks, apenas porque em dois dias é o tão esperado casamento de minha mãe e meu ex-sogrão.

    É, minha mãe vai casar. E eu sou a dama de honra. Droga.

    Não estou em clima de festa, porque meu pai morreu há pouco tempo e descobri que o homem que eu amo não confia em mim. Ou seja, uma merda de vida. Mas irei sorrir, mesmo que seja apenas para deixar minha mãe doidinha de pedra feliz.

    ***

    Era dia de aula, mas eu faltei!

    Minha mãe tinha colocado na cabeça que era chique casar na quinta-feira e por isso, terça-feira eu estava desembarcando em Seattle. Peguei minha mala preta - que depois de algum tempo minha mãe enviou para Jacksonville - e respirei fundo. Eu tinha que ser forte, pois sabia quem me buscaria hoje e sabia muito bem que não podia ser traída pelos meus sentimentos bobamente apaixonados.

    Eu usava uma roupa casual – blusa de frio listrada de amarelo e branco, uma calça jeans, all star branco e um coque mal feito. Passei pela multidão de pessoas, olhando para o chão, e quando pude respirar melhor, senti o cheiro que eu lembrava de cor. O cheiro que me embriagava, que fazia tremores pelo meu corpo, o cheiro delicioso dele. Nem precisei procurar muito, apenas segui seu aroma e logo o encontrei.

    – Bella... - escutei sua voz rouca dizer.

    – Depois,Edward. Depois. - pedi, finalmente o olhando nos olhos.

    Eu sabia que quando ele visse meus olhos, enxergaria o estrago que conseguiu fazer em mim. Eu não o culpava pelo incidente, mas... Quantas vezes eu disse que o amava? E foram tão poucas assim para ele duvidar de mim?

    Ele percebeu meu desconforto e só assentiu. Começou a caminhar para fora do aeroporto – com a minha mala – e eu o segui rapidamente. Logo eu estava parada diante do Volvo prata reluzente. Edward guardou a minha mala e abriu a porta do passageiro para mim. Entrei e ele a fechou.

    A viagem de Seattle a Forks fora simplesmente silenciosa. Nenhum de nós dois ousou quebrar o silêncio e fiquei grata por isso. Era ruim demais ficar no mesmo ambiente em que o homem que amo e não poder enchê-lo de beijos. E a saudade era tanta... Mas aguentei.

    Quando nós estávamos enfrente a mansão Cullen, ele parou o carro e me fitou. Percebi que seus olhos estavam arrependidos, que eles estavam meio que perdidos. Desviei meu olhar do dele e encarei meus dedos das mãos, não querendo entrar naquela conversa.

    – Já é depois?

    Suspirei e vi que era melhor encarar logo a conversa porque eu não conseguiria me manter tão fria diante dele, quando meu corpo parecia queimar em esperança.

    – Acho que sim. - sussurrei ainda sem olhá-lo.

    – Então... Quero que saiba que eu te amo. - disse procurando achar as palavras certas. Arqueei uma sobrancelha em dúvida. Será que ele me amava mesmo? Eu não tinha plena certeza disso. - Fui um estúpido. Admito que errei com você e que nada que eu fale possa fazê-la me perdoar, mas mesmo assim... Eu espero que um dia você pelo menos pense em mim. Você está me odiando agora e te dou toda a razão, só que eu não estou pronto para tanta frieza, Bella. Faça qualquer coisa, mas não me trate assim. Estou me sentindo horrível por ter te feito sofrer e só desejo que me trate como antes. Sei que não me quer mais. Mas pelo menos podemos ser amigos, certo? Diga que sim... Não vou suportar viver sem você.

    Eu tive que mirá-lo. O fitei por tanto tempo que quando falei, minha voz parecia bem mais alta.

    – Engraçado. Juro ter ouvido dizer que não tínhamos nada, que não éramos namorados, não éramos amigos e que você queria mais era que eu explodisse. - murmurei ao me lembrar perfeitamente das palavras. Edward ficou cabisbaixo, mas eu ainda não tinha acabado de falar. - Nossa, você não vai suportar viver sem mim? Por quê? O que uma vadia, biscate, puta... Ah! Vagabunda também... O que eu que não presto nada faria a sua vida além de te enganar? De te trair? Hein?

    – Não fale isso. - implorou com a voz entrecortada. - Eu não queria dizer essas coisas, me perdoe.

    – Mas disse.

    – E me arrependo! Acha que eu não fiquei mal também? Que eu não sofri? E saber que o porquê da minha dor era uma merda que eu tinha feito? Justo por quem eu mais amo? Me perdoe, Bella! Errei e admito, eu não tinha o direito de falar aquelas coisas para você, mas estava cego de ciúme! Como você acha que eu fiquei ao ver um vídeo pornô em que eu escutava a sua voz?! Era você lá! Doeu sentir que eu não era importante para você.

    – Você nem sequer desconfiou que fosse armação? - indaguei.

    – Desculpe, mas não.

    – Viu? Você não confia em mim e um relacionamento sem confiança, não é nada.

    – Eu confio, Isabella. - disse com sinceridade. - Se você me pedir para pular de uma ponte, eu o faria, mesmo sendo uma besteira. Não vou mais errar... Não posso mais errar. Eu quero você, eu amo você, eu desejo você, então, por favor, não me trate como um Zé ninguém. Eu acho que já fui alguma coisa para você e, se você encontrar qualquer vestígio do que sentiu por mim em meio a tanta mágoa, eu estarei feliz. - sorriu triste.

    – Edward... Você sabe que eu te amo. - falei e olhei meus pés. - Só que dói aqui dentro - coloquei a mão sobre o meu coração. - saber que você foi capaz de não acreditar em mim. Não me deixou explicar. Apenas gritou e tacou coisas em minha cara que eu não entendi. Você não imagina quantas noites eu acordei gritando por ter sonhado com suas palavras... A dor era maior, porque era sua voz, cheia de raiva, repulsa, nojo, que me jogavam as palavras.

    Edward estendeu a mão até mim, mas recuou, com medo de me machucar mais ainda.

    – Eu jurei que teria o seu perdão, mas sei que não está mais ao meu alcance. Você tem medo de mim. - afirmou.

    Tomei coragem e cheguei mais perto dele – ainda dentro do carro – e delineei com os meus dedos trêmulos, o rosto perfeito dele. Edward fechou os olhos e sorriu levemente ao sentir meu toque. Minha mão estava gelada, mas com o toque em sua pele, pareceu que recebi milhares de choques elétricos que me esquentaram de uma só vez.

    – Eu não consigo te perdoar. - sussurrei. - Me sinto dolorida, machucada, ferida... Preciso pensar sobre nós dois. Preciso entender a confusão de sentimentos dentro de mim. Porque ao mesmo tempo em que quero gritar com você e te socar por me xingar de coisas tenebrosas, eu quero me jogar em calor dos teus braços e esquecer de tudo. Entende que me sinto em conflito? Não estou pronta ainda... Espero que me entenda. - abaixei a cabeça, após soltar tudo aquilo de uma vez.

    – Entendo. - murmurou. - Vou deixar você pensar... - sorriu torto, o sorriso que eu tanto adoro. - Agora vamos entrar, antes que a sua mãe surte de vez.

    – Vamos. - falei.

    Saímos do carro, ele pegou minha mala e entramos em casa...

    (continua)

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